Elementos da armorialidade na gastronomia do chef Onildo Rocha
Resumo
O Movimento Armorial teve início na década de 1970 a partir da proposta do escritor paraibano Ariano Suassuna, para quem o Brasil deveria se reunir em torno de uma arte nacional que pudesse representar genuinamente a tríade de formação do país: o indígena, que aqui vivia desde antes da colonização; o europeu, especialmente o português; e o africano, trazido como escravo para construir o início da nação brasileira. Em busca dessa identidade, o Movimento propõe a transformação da cultura popular em arte erudita. Cinquenta anos depois, o ideal Armorial continua atraindo artistas de diversas áreas para se filiarem à proposta. Esta pesquisa, de natureza exploratória e descritiva, objetiva situar a gastronomia como representação artística capaz de expressar a cultura de um povo, assim como demonstrar de que forma o chef paraibano Onildo Rocha desenvolve pratos com alto nível de técnica e estética, respeitando e valorizando os produtos e insumos locais, traduzindo, assim, uma cozinha brasileira, aos moldes do Movimento Armorial. Fundamentando-se em autores como Santos (2009), Suassuna (1974, 1977, 2018), Farias (2006), Cascudo (2011) entre outros, os resultados desta pesquisa apontam para a existência de elementos armoriais nas preparações do chef Onildo, que reiventa a gastronomia tradicional paraibana elevando-a ao patamar de arte.
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